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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Produção de conteúdo para rádio na UFRRJ: atividade desafiadora

Como prometido, eu disse que voltaria aqui para escrever sobre as atividades de rádio que consumiram a alma da primeira turma de Jornalismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Durante dois períodos da faculdade, estudamos a história do rádio, as tecnologias radiofônicas, a linguagem do meio, técnicas de locução, entre outras especificidades.

As aulas foram ministradas pelo professor João Paulo Malerba, calouro como docente universitário. No entanto, sua inexperiência como professor de radiojornalismo não seguiu o pé da palavra. O professor se mostrou apto a formar os melhores futuros radiojornalistas do país.

(Estava escrevendo uma mini-biografia dele aqui, mas ficou muito grande. Clique aqui para ver seu Currículo Lattes e ter ideia do quão "fera" é o rapaz)

A nossa situação na UFRRJ, principalmente para a primeira turma de Jornalismo (2010.1) ainda não é a das melhores. Fizemos as aulas de radiojornalismo e telejornalismo sem laboratório de rádio e TV, tudo na improvisação. Em radiojornalismo, ao menos, deu certo. Deu muito certo. A falta de equipamentos não foi um problema quando colocávamos nossos celulares em ação ou compartilhávamos os poucos gravadores do curso. Pelo ponto de vista técnico, a qualidade deles só não ficaram tão melhores pela falta de estrutura de rádio que precisávamos. Já pelo ponto de vista jornalístico, nossas produções ficaram encantadoras. Um milagre para um curso sem laboratório.

Vou começar pela reportagem especial que eu e minha amiga Andreza Almeida fizemos para a disciplina "Radiojornalismo I" (colocarei nesse post apenas trabalhos meus, pois não tenho autorização para divulgar trabalhos de meus colegas de turma). A reportagem foi a atividade final da disciplina e a entrega aconteceu em dezembro de 2012. Intitulado "Obras do Arco Metropolitano em Seropédica prejudicam moradores e meio ambiente local", o trabalho propôs abordar um ângulo diferente da megaobra que atravessa Seropédica, cidade da região metropolitana do Rio e hospedeira da UFRRJ.

Clique no play para ouvir a reportagem especial


Essa reportagem é uma continuação de matérias que fizemos para a revista Brasil Afora, um trabalho acadêmico das disciplinas de Editoração Eletrônica e Planejamento Editorial, ministradas no 4º período (na ocasião, em 2011.2). O objetivo dessas matérias foram mostrar as consequências negativas de uma obra realizada em nome em nome do progresso.

O que caracteriza uma reportagem especial é o tamanho e a profundidade do assunto. É como se fosse a matéria de capa de uma revista: aquela maior e cheia de detalhes. Na reportagem especial, você pode utilizar efeitos sonoros, músicas, dois locutores e fazer uma espécie de "teatralização" do assunto para deixá-la mais leve e gostosa de ouvir.

Já o radiodocumentário é um outro tipo de reportagem. Ele é caracterizado por sem bem grande. Existem radiodocumentários que vão desde 10 minutos até 1h. No caso desses maiores, eles são divididos e reproduzidos em partes no rádio, como uma espécie de radionovela. O tema também é muito bem aprofundado. Há diversidade de entrevistados, e você pode aproveitar mais os recursos sonoros como a captação de som ambiente para dar a sensação ao ouvinte de que ele está naquele local.

O trabalho final da disciplina "Radiojornalismo II" foi um radiodocumentário. O tema era livre e a exigência foi de que o arquivo tivesse de 10 a 15 minutos e intervalos (dois ou três, a depender do tamanho). O trabalho também deveria ser feito apenas por uma pessoa.

O tema do meu radiodocumentário foi "Desafios da Matemática". Em março de 2013, a ONG "Todos pela educação" divulgou um estudo que compara a evolução de alunos. A pesquisa aponta a matemática como a disciplina que tem o pior rendimento na escola pública. O trabalho teve o objetivo de entender o porquê desse resultado e o terror que há sobre a matemática, além de apresentar o papel fundamental do professor na formação dos estudantes.

Clique no play para ouvir o radiodocumentário


Escolhi fazer um radiodocumentário sobre matemática porque eu queria um tema que fosse distanciado de mim, ou seja, que eu não tivesse tanto contato. A matemática é considerada a vilã da escola e poucos têm relação afetiva com a disciplina. Como no jornalismo poucos gostam de matemática, resolvi fazer esse radiodocumentário que segue o fluxo contrário da natureza do jornalista: se distanciar desse mundo dos cálcuos — pelo menos é o que eu vejo entre meus colegas estudantes.

Ainda há dois trabalhos diferentes que gostaria de compartilhar:

• A radionovela
• O spot

Durante a disciplina de "Radiojornalismo II", aprendemos a produzir spots. O spot é uma espécie de propaganda institucional que leva uma mensagem colaborativa para o ouvinte. Geralmente, ele tem, no máximo, 1 minuto e utiliza efeitos sonoros e músicas. A locução pode ser feita por uma ou mais vozes e a mensagem deve ser clara, simples e fácil de ser captada.

O primeiro spot que eu fiz foi com meus amigos Alerrandre Barros e Carolina Vaz. O tema foi transporte alternativo e colocamos a bicicleta como protagonista do trabalho.

Clique no play para ouvir o spot


Outro spot que eu fiz foi sobre dicas de consumo após o horário brasileiro de verão. Ele foi reproduzido durante uma simulação de um programa de rádio-variedades ao vivo, de 30 minutos. Esse programa foi produzido como um rádio-variedades dos anos 80, para o público C e D da Baixada Fluminense. O spot, claro, deveria seguir as mesmas características do programa de rádio.

Clique no play para ouvir o spot


E, para finalizar, ainda tem o radiodrama, que é um conto teatralizado, com efeitos sonoros e músicas, veiculado em programas de rádio. O radiodrama que eu fiz foi o "Prova de Amor", produzido em parceria com minha amiga Andreza Almeida e inspirado em Cílios do Amor, de Andréa Beron e Alain Rothermel.

"Prova de Amor" é uma dramatização (com 3 minutos de duração) de uma briga de casal. Eulália (Andreza Almeida), insatisfeita com seu relacionamento amoroso, pede uma prova de amor ao seu esposo Carlos Daniel (Gian Cornachini), que sempre cumpre os desejos de sua amada. Produzido em março de 2013 para a disciplina de Radiojornalismo II, "Prova de Amor" também fez parte do programa de rádio-variedades ao vivo.

Clique no play para ouvir o radiodrama


Toda essa produção de conteúdo jornalístico para rádio foi feita por nós, alunos. As atividades iam desde a apuração, entrevista e redação dos textos das matérias, radiodramas e spots, até a locução e edição dos áudios. Foram atividades desafiadoras, pois colocamos toda a nossa criatividade em ação por meio de um improviso sem laboratório de rádio. O professor João Paulo Malerba fez o possível e impossível para que aprendêssemos e aproveitássemos ao máximo os recursos disponíveis que tínhamos: celulares, três gravadores (dois do curso e um emprestado pelo professor) e computadores com o Audacity — software livre de edição de áudio.

Arrisco a dizer que minha turma fez produtos jornalísticos e criações midiáticas muito melhores do que a gente ouve diariamente nas rádios comerciais, pois não ficamos presos somente à estética (proporcionada por um laboratório bem equipado), mas nos atentamos muito à qualidade do conteúdo enunciado. Espero que tenham gostado desses trabalhos*.

* Todos esses trabalhos estão disponíveis em minha página no Radiotube. Os  conteúdos do Radiotube podem ser reproduzidos por qualquer veículo de comunicação, desde que citada a fonte e mantida a íntegra do material. (CC)

sexta-feira, 9 de março de 2012

"Vamos tomar banho na casa do reitor"


Na noite de 7 de março, durante a semana de integração dos calouros da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, cerca de 100 estudantes protestaram pela falta de água nos alojamentos masculinos ao som de uma marchinha com os dizeres "vamos tomar banho na casa do reitor". O problema vem ocorrendo há semanas e a Administração Superior da universidade não deu total importância ao problema até o momento do protesto em frente à casa do reitor, localizada dentro do campus Seropédica.

Poderia faltar funcionários da limpeza ou vidros nas janelas, mas faltar água por várias semanas, sem que os usuários consigam realizar suas necessidades básicas, é um tiro em um dos direitos universais.

Ricardo Motta Miranda, reitor da UFRRJ, respondeu ao protesto e afirmou que só teve conhecimento do caso no momento em que os estudantes foram até sua casa, provando a invalidez da administração superior da universidade. Ele mesmo consentiu o trabalho extremamente falho de sua equipe e propôs:


— Não me poupem. Liguem para meu celular e me comuniquem  de qualquer problema.

A solidariedade do reitor foi recebida como um discurso político pelos estudantes, o que serviu para mostrar novamente que não existe uma comunicação de sucesso entre as instâncias administrativas da universidade. Visto isso, qualquer estudante está liberado para fazer uma ligação para Miranda ao invés de passar por todo o processo burocrático para ser ouvido por ele. 

No placar até o momento: Estudantes 1x0 Administração Superior (não vamos esquecer de ligar para o reitor às 22h quando formos quase vítimas de estupro nas ruas mal-iluminadas da Rural).

Durante a conversa com o magnífico, foi feito um convite. O estudante Thiago Ferreira, membro do DCE, sugeriu que Miranda fosse até o alojamento conferir de perto os problemas que os estudantes enfrentam, que chegam até mesmo no emblemático Departamento de Geociências, conhecido como o "far far away" da UFRRJ, mas que cortam o caminho da reitoria e não passam nem perto.

— É, não tem água — confere Miranda quando abre os chuveiros de um dos alojamentos masculinos.

Placar até o momento: Estudantes 2x0 Administração Superior

Ricardo Motta Miranda, reitor da UFRRJ, constata a falta de 
água nos alojamentos masculinos

— Zuza, eu preciso dar um prazo para os estudantes. Amanhã de manhã tem como encontrar o problema na tubulação e arrumar?

— Sim, Ricardo. Amanhã, às 8h, eu venho aqui —, prometeu o funcionário da manutenção que, segundo o próprio reitor, há anos o já senhor de idade Zuza concerta problemas como este na Rural.

Hoje é dia 9 de março, 14h10. Depois de quase dois dias após o protesto, segundo o estudante Thiago Ferreira, morador do alojamento, a água parece que está começando a voltar. Os calouros que ainda não conseguiram tomar banho no alojamento que mais recebe gente de todo o Brasil, já podem garantir seu primeiro banho na UFRRJ antes que a água acabe novamente.

Você pode acessar todas as fotos do protesto clicando aqui.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

E a confiança, onde fica?

Um conto para refletir nossas lutas íntimas

A "Comunicar!", Semana de Comunicação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), terminou e o alívio recaiu sobre meus ombros. No início de outubro, a coordenadora do curso de Jornalismo, Simone Orlando, atribui-me uma tarefa para a semana acadêmica: divulgação.

"Será que vou conseguir?"
O primeiro trabalho que eu deveria apresentar seria o cartaz do evento. O momento de criar estes tipos de mídias é quase um ato religioso. Você se abre para receber ideias do "além", mas a única frase que martela em sua mente necessitada de inspiração é "será que vou conseguir fazer?". A falta de autoconfiabilidade emerge do lado negro do psíquico e o torna incapaz de acreditar que algo bom pode sair de você. Reconheço que duvido de mim mesmo.

O primeiro passo do trabalho é organizar as ideias. "Será que deve ser colorido ou clean? Será que deve conter imagens ou trabalhar o texto de maneira harmoniosa? ... ".

Significado de Calma no Dicionário online de Português. O que é calma: s.f. Ausência de agitação; tranquilidade: a calma do mar; conservar a calma. 

Esta palavra não faz parte do processo de criação, mas deveria. O desespero chega perto, dá três batidinhas na porta da cabeça e diz: "E aí, vai fazer alguma coisa legal ou vai ficar puxando forças do além até darem o serviço para outra pessoa?". 

Começa, então, uma conversa comigo mesmo. 

"Não, eu sou capaz, ok? Se a professora me passou esta tarefa, é porque ela acredita em mim". "Ah, é mesmo? Ou ela passou a tarefa para você porque você sempre faz estas coisas?". "Desespero, favor se retirar. Não tenho tempo para você neste momento. Tenho muito trabalho! Ah, não se esqueça de mandar lembranças para sua prima 'Baixo-estima' e dizer que minha amiga 'Inspiração' é mais conveniente. Passar bem".


O segundo passo é jogar as ideias no programa de desenho vetorial. Começo a criar a logo do evento. Queria uma imagem bacana e que qualquer pessoa identificasse o evento só vendo seu símbolo. Chego em um resultado. Visto a capa da democracia e coloco no grupo acadêmico de Jornalismo no facebook duas ideias que tive para a logo. Começam as críticas...

Primeiras ideias da logo "Comunicar!"

Os estudantes gostaram, mas sempre faziam alguma observação. "Não gostei das cores, está muito Brasil", "não gostei da escrita de dentro do balão"... Mas, algo também me incomodava. Comecei a trabalhar em uma outra ideia e surgiu uma nova logo:

Logo aprovada para a Semana de Comunicação

A imagem foi aceita pela maioria dos alunos, aprovada pela professora Simone e opinada pelo professor de Design Francisco Valle. Ele só mandou eu ajustar uma coisinha ali, outro espaço aqui que ficaria ótimo.

O terceiro passo era criar o cartaz. Todas as informações do evento foram repassadas para o programa. No processo, retiro o que não quero, deixo o que acho que vai ficar bom. Coloco umas formas geométricas, dou cor à elas. O cartaz começa a tomar forma e uma palavrinha vem surgindo no fundo de minha mente: capacidade. Neste momento, sinto um beijo da coleguinha "Autoconfiança" no rosto e vem uma sensação de mais intimidade com o trabalho. Consigo terminar o cartaz:

Clique na imagem para ampliá-la

Achei moderno e leve. Fiquei feliz pelo trabalho concluído e logo levei-o a professora Simone para ela aprovar. "Hmm, não está bom. Não está impactante, ainda não é aquilo que estou pensando. Mas está ficando bom... você é ótimo!". Ainda quer saber como eu me senti?

Igual a um cãozinho que volta para casa com o rabinho entre as pernas, voltei e sentei na frente do computador.

"Eu disse que você não ia conseguir. Está vendo, você não é capaz!". "Eu sei, Desespero. Por mais que falem que tenho capacidade, eu não acredito." "Minha prima Baixo-estima quer fazer fazer uma visita; ela acha que sua amiga Inspiração não está nem aí para você". "Inspiração? Ela é minha amiga sim e eu preciso dela. Tchau, Baixo-estima. Volta para o seu canto que eu vou fazer um novo cartaz e vai ficar bom, você verá".


Com as novas ideias que minha professora tinha passado, comecei a fazer um novo cartaz. Estava determinado a fazer algo bonito e que chamasse, de verdade, a atenção das pessoas. O arquivo precisava estar pronto no outro dia para que a gráfica imprimisse os cartazes e o banner. Fiquei até de madrugada fazendo e, quando terminei, senti uma satisfação enorme. Mostrei-o para as pessoas disponíveis que pudessem criticá-lo e todas só diziam uma palavra: ótimo. E era tudo o que eu queria ouvir da minha coordenadora.

Cartaz da Semana de Comunicação da UFRRJ

Enviei um e-mail para a professora Simone com o cartaz e aguardei a resposta dela. Será que ela iria aprovar desta vez?

Na manhã do outro dia, a resposta estava lá, grande, em CAPS LOCK tamanho 72:

Resposta em e-mail da coordenadora sobre o cartaz

Em uma nova situação, repito o que disse no meio do conto: "ainda quer saber como eu me senti?".


"Baixo-estima, quem é que não conseguiria mesmo?". "É, não consegui desta vez... mas ainda haverá outras oportunidades...". "Pode até ser, mas terei o prazer de mostrar a você que sou capaz, basta acreditar em mim mesmo e me esforçar para vencer mais um desafio!"

_________________________________________________________

Que este conto sirva para inspirá-lo e fazê-lo acreditar mais em si mesmo. Não dê ouvidos à palavras que só te desanimam e fazem você regredir. Todos temos capacidade, basta confiar!

Obrigado!

Gian Cornachini,
sonhador.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

UFRRJ inicia a prática de fotojornalismo

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) não é mais cenário de fotografias artísticas. Com a disciplina de fotojornalismo do curso de Comunicação Social, os estudantes estão aprimorando seu olhar fotográfico e registrando cenas que ainda não eram exploradas na universidade. Esta prática está gerando um banco de imagens da Rural, que serve, desde já, como uma maneira de guardar a memória da instituição e denunciar os problemas do cotidiano dos estudantes.

Fotojornalismo está sendo praticado pela primeira vez na UFRRJ. O curso de Comunicação Social – Jornalismo foi criado há dois anos e há, por enquanto, duas turmas cursando – os ingressantes em 2010 e de 2011. A disciplina é obrigatória da grade curricular de Jornalismo e aplicada a partir do quarto período. Altayr Derrosi é o professor de fotojornalismo na Rural e têm experiência na área de Comunicação e ênfase em fotografia ambiental e sustentabilidade.

Estudantes praticam suas primeiras fotografias na nova disciplina

Carolina Roberta, aluna do quarto período, acredita que fotojornalismo é uma disciplina importante para o curso de Jornalismo. “Mesmo sem ter o dom ou gostar de fotografar, o jornalista é jornalista 24 horas por dia. Se ele vê algo interessante e não está cobrindo, ou se sai para cobrir algo às pressas e sozinho, é importante que tenha uma câmera e que saiba usá-la para registrar a cena”, explica Carolina. “Além disso, a fotografia é muito importante em qualquer matéria jornalística hoje porque é um atrativo para o texto”.

Outro ponto que a estudante destacou é que a prática de fotojornalismo na Rural poderá contribuir com o movimento estudantil e a reivindicação de seus direitos. “Os alunos querem ter visibilidade de verdade e as fotos denunciam os problemas que passam na universidade. Com um jornal independente, preenchido de boas fotos, os problemas seriam incontestáveis e todos os alunos poderiam usá-lo como documento para exigir seus direitos.” Juliana Portella, aluna do segundo período, ainda não teve a disciplina, mas também acredita na função social que fotojornalismo trará para a UFRRJ. “A Rural será cenário de cliques que vão além das poses e do registro estático. A foto jornalística revela a ‘verdade’. Ela não é forjada, e é nesse sentido que o curso contribui para a universidade”, observa ela.

A estudante enfatiza suas expectativas para cursar a disciplina no ano que vem. “Estou muito ansiosa para aprender os truques do fotojornalismo. Essas fotografias tem um tempero a mais, são mais do que uma fotografia comum e eu gosto bastante”, revela Juliana entusiasmada.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cobras, lagartos e carapanãs*

* Texto extraído do blog "Karapanã" (http://bit.ly/jniOTd), por autoria de Alessandra Carvalho**. Data da publicação: 1º de maio de 2011.

Há pouco mais de um ano, antes de eu decidir deixar a UFRB e vir trabalhar na UFRRJ, meu pai me mandou esta: “Tens certeza de que queres trocar uma universidade nova por outra madura e cheia de ‘cobras criadas’?” Respondi que o curso em que ia trabalhar era novo, apesar da universidade antiga.

Então, há duas semanas, a fala do meu pai se confirmou em certa proporção. Uma real cobra criada apareceu à luz do dia no ICHS, local onde trabalho na UFRRJ, em Seropédica. Quem a encontrou foi o @giancornachini, estudante de jornalismo, que postou esta foto no twitpic.

Moradora não identificada da UFRuralRJ


(Claro que se trata apenas de uma amostra das que vivem escondidas no recantos do terreno da Rural.)

Pensei em procurar saber nome e sobrenome da serpente. Será que existe alguma pesquisa sobre os animais que vivem na universidade? O campus de Seropédica tem mais de 3 mil hectares, mais “mato” que prédios e deve haver muito bicho nesse ambiente. Dei a sugestão de pauta ao Gian.

No twitter, pedi ajuda ao colega @rmtakata, biólogo, que vive em BH-MG. Mas ele também não sabia a identidade da figura e me sugeriu que consultasse o pessoal do blog do Nurof – Núcleo Regional de Ofiologia da UF do Ceará. Deixei um recado no blog com link para a foto. Horas depois, Luan Pinheiro registrou a resposta: “Cara Alessandra, infelizmente por essa imagem que nos mostrou fica impossível identificar a serpente, no entanto posso lhe assegurar de que não se trata de um animal peçonhento.”

Beleza! É o tipo de informação que – mesmo incompleta – é suficiente para aliviar o medo oculto em curiosidade.

Por isso resolvi postar a breve experiência: as ágeis conexões entre pessoas de vários lugares, com endereço – e uso efetivo – na web, em torno de um tema me reafirmaram aquela velha ideia de que é bom conhecer fontes certas quando se quer resolver determinados problemas. #tôligada.

** Alessandra Carvalho é professora do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ. Perfil no twitter: @alesscar


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

É brincando que se aprende

“O Jornalista de hoje tem que saber escrever, elaborar pautas, assessorar, usar as novas ferramentas da internet, diagramar…” - É isso que a coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) tem sugerido aos alunos. Foi-se a época em que o jornalista saía na rua, entrevistava as pessoas, voltava para a redação, escrevia sua matéria e tomava um gole de café. O café continua, mas a prática é ainda maior. Quem não se diferencia, não se enquadra (criei a expressão agora, péssima - risos).

Confesso que tenho tentado me diferenciar - e revelo que isso não é um exercício do Ensino Fundamental. Às vezes, dou uma cutucada no Corel Draw, umas “futucadas” no Photoshop e arrisco até dar uma brincada no Sony Vegas. Não fiz curso de nada (não falta vontade), mas, depois de muitas arriscadas, o trabalho resulta em um arquivo digno de “amador avançado”, se é que existe esta expressão.

O primeiro trabalho no Corel Draw que fiz foi um cartaz do twitter do (ex) Decanato de Ensino e Graduação (atual Pró-reitoria de Graduação). O microblogging era novo e precisava ser divulgado. O único probelema é que acabamos divulgando o @DegUFRRJ de outras formas e o cartaz não saiu do computador. Portanto, apresento, aqui, a minha obra prima - não no sentido de apreciativa, mas no sentindo de primeira mesmo:


No dia 2 de agosto, voltei à brincar no Corel Draw para tentar fazer um cartaz para a “Festa Calourosa”, um evento para os calouros que ocorrerá no dia 11 de agosto. Não posso deixar de destacar que tive a ajuda, digo, petelecos e alfinetadas da minha querida amiga jornalista Monique Lima, que é muito crítica nestas questões visuais. Entre os problemas, estava o fundo xadrez piquenique que não combinava com a logo da banda, outrora o cartaz estava pronto mas algo incomodava, mudava e ainda assim não estava bom. Entre tapas e beijos, acatei algumas ideias da Monique, saí mostrando o cartaz pelo setor onde trabalho e perguntando o que tinha que melhorar. Ora acatei, ora não gostei, ora fiz cara de cachorro que protege a tigela de ração, por fim juntei tudo, misturei e quase chorei com o resultado final. Modéstia parte, achei que ficou ótimo:

Conhece a universidade mais linda do Brasil?

O campus sede da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) está localizado na cidade de Seropédica, Baixada Fluminense. É um lugar que nem os cariocas conhecem direito, muito menos meus amigos paulistas. Quando me perguntam onde moro, e respondo Seropédica, de imediato retrucam “o quê? Seropédia? Nunca ouvi falar”. Além de nunca terem ouvido falar, também não conseguem nem entender o nome da pacata cidade da Baixada.
Mas o que tem de mais importante em Seropédica é a UFRRJ, a universidade mais linda do Brasil. Lá já foi filmada a novela “Coração de Estudante” (Rede Globo, 2002) e até um clipe do Balão Mágico. Veja: 
 
                

No ano passado (2010), a UFRRJ comemorou seu aniversário centenário de educação superior. Os primeiros cursos ministrados pela Universidade foram Agronomia e Medicina Veterinária e, atualmente, ela conta com mais de 50 cursos presenciais e à distância.
Agora, por que a Rural é a universidade mais bonita do Brasil? A resposta se encontra na arquitetura dos prédios, no clima de fazenda, nos lagos, no jardim, no ambiente que remete à uma viagem ao tempo colonial. Quem estuda lá se orgulha em dizer: eu faço parte da universidade mais linda do Brasil!

Você pode encontrar mais fotos da UFRRJ em meu flickr. Acesse http://www.flickr.com/photos/giancornachini/sets/72157626785350907/ e constate você mesmo o que eu disse aqui neste post.

   A arquitetura colonial da UFRRJ é palco cenográfico
Jardim do Prédio Principal da UFRRJ, campus Seropédica



Ciência Móvel diverte e leva conhecimento à UFRRJ

Adolescentes tiveram contato 
com o mundo científico
O “Ciência Móvel” (Caminhão da Ciência da Fiocruz) passou pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em março deste ano. O evento foi movimentado.  Mais de 2,7 mil crianças e adolescentes de colégios da região participaram deste projeto, que leva experiências científicas e culturais para locais afastados dos grandes centros.

O projeto Ciência Móvel – Vida e Saúde para Todos dispõe de equipamentos e experimentos que interagem com o visitante, abordando temas ligados à preservação do meio ambiente, saúde, fenômeno da vida e à preservação do patrimônio histórico-científico. A estudante da 6ª série, Bruna Machado, da Escola Nelson Antelo Romar (CIEP 155 - Seropédica) aprovou o projeto. “Achei muito interessante porque foi a primeira vez que tive contato com estes aparelhos científicos”, conta a garota.

Os professores que acompanharam seus alunos também puderam participar do Ciência Móvel, como a professora de química Maria Aparecida, do Colégio Técnico da Universidade Rural (CTUR - UFRRJ). “A ciência, junto com os equipamentos, é sempre importante para aprimorar o que ensinamos aos alunos.”

Dária Helena, estudante do 10º período de Licenciatura em Ciências Agrícolas e bolsista do PIBID, ajudou na organização do evento. Segundo relata Dária, dava para ver que os visitantes gostaram bastante do projeto. “É uma novidade para eles, já que muitos destes equipamentos não têm em sala de aula. 

Planetário
 
Planetário exibe constelações e 
ensina sobre o universo
Uma das exposições que chamou a atenção dos visitantes foi o planetário. A cabine em formato circular, totalmente fechada e escura, projeta nas paredes as principais constelações vistas à olho nu. Girlaine Lopes, estudante do 3º ano do Colégio Jannette S. C. Mannarino - Rio de Janeiro, participou do planetário e contou que aprendeu muito. “O planetário é incrível! Aprendi que existem estrelas maiores que o sol e que podemos vê-las à noite”, relatou a estudante. Para Juliana Soares, professora do Colégio Jannette, o Ciência Móvel é incrível. “O projeto é muito bom porque leva a ciência para lugares mais distantes, gerando conhecimento a todos.”

O Ciência Móvel esteve aberto a visitação na UFRRJ durante quatro dias  ̶  de terça-feira (29/03) a sexta-feira (1/04), das 9h às 16h.


~ > Minha experiência < ~

Fui cobrir o evento e acabei me envolvendo com este mundo da ciência. Este projeto da Fundação Oswaldo Cruz, ao meu ver, deveria ser um exemplo para vários institutos de pesquisa e ciência, pois a sociedade está carente de conhecimento. Pena que não tive tempo para poder “brincar” nestas “engenhócas” que ensinam e divertem. Mas deixo a dica: quem tiver oportunidade de participar do “Ciência Móvel”, não perca a chance. Vale à pena!

Conheça mais sobre o “Ciência Móvel” na página http://www.museudavida.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=222



A arte de salvar vidas

No ano passado, na quinta-feira (4) de setembro, por volta das 15h, passei em frente ao prédio principal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e deparei-me com uma cena que me deu calafrios instantaneamente. Era um acidente de moto. As vítimas estavam jogadas no chão, com fraturas expostas e sangue espalhado por todos os lados. No momento, comecei a me redimir, pedindo perdão a mim mesmo pelas vezes que andei de bicicleta como o segundo colocado em uma corrida, que procura por todas suas forças para ultrapassar o primeiro.


Meu instinto curioso, de jornalista, levou meu corpo até as vítimas e minhas mãos até meu celular. Antes mesmo de apertar o REC no modo câmera, percebi, pelo sorriso nos rostos daquelas pessoas cortadas e ensanguentadas, que todo aquele sofrimento não passava de uma encenação. Meu desespero cessou e o REC já estava em ação. Ao som de muitos passos, a frota da Guarda Universitária Federal apareceu e iniciou o socorro às falsas vítimas. Elas gritavam de dor, pediam para ser salvas, diziam que não queriam morrer, que tinham filhos para criar e representavam até sofrer convulsão, com direito a vômito de sangue.


Após o resgate, um rapaz tomou a voz. Era o instrutor que estava dando aulas de socorro à vítimas de casos comuns e graves, como o recém representado para a guarda universitária. Ele parabenizou a todos e fez algumas observações. Dentre as mais importantes, sair da linha da boca sangrando do acidentado era uma delas.  Isso evita que um jato de sangue atinja o rosto de quem está fazendo o resgate, impossibilitando assim qualquer contaminação. Questionados sobre a encenação dos atores, os guardas afirmaram que ficaram muito nervosos de tão real que parecia ser toda aquela cena.


Por fim, o instrutor pediu para esses agentes da vida meditarem, imaginando-se caminhando pelas ruas e ouvirem uma criança sorrindo e dizendo: “mamãe, veja aquele homem, foi ele quem salvou o papai daquele acidente!”. Não pude deixar de me emocionar e ter a certeza de que o que torna esses heróis felizes não é o salário que eles ganham, mas a imensurável satisfação em ouvir o “obrigado, você salvou a minha vida!”.